TRANSGRESSÃO: Povos Indígenas Isolados, Missionários e COVID-19 / Apagamento da Existência Indígena – Proselitismo no Tempo dos Coronavírus: Parte 3

A região remota e de difícil acesso do Vale do Javari, no Brasil, possui o maior número de povos indígenas isolados no mundo, muito suscetíveis a doenças introduzidas em seu território pelo que consideramos civilização.

Em meio à pandemia de coronavírus que assola o Brasil, os missionários evangélicos fundamentalistas agora lideram uma das “Coordenações Gerais de Povos Indígenas isolados e com contato recente da Funai”.

foto: Ricardo Stuckert

Ricardo Lopes Dias, missionário e antropólogo de plantação de igrejas evangélicas, foi confirmado como o novo chefe da seção de Povos Indígenas Isolados e Recentemente Contatados (CGIIRC) da Agência de Assuntos Nativos (FUNAI) em fevereiro de 2020. O jornalista Daniel Biasetto, de O Globo, expôs a mentira de que Lopes Dias não estava mais ligado à missão fanática e amplamente desacreditada das novas tribos do Brasil (MNTB), e que Lopes Dias havia mentido sobre seu envolvimento contínuo em projetos de evangelismo missionário quando foi escolhido para o cargo.

foto: © Ricardo Lopes Dias

O GLOBO coletou depoimentos de povos indígenas que trabalharam com o pastor Lopes Dias, não apenas no MNTB, mas também na Igreja Batista Guaianases. Depois de trabalhar por anos com o MNTB para evangelizar o povo Matsé no Vale do Javari, Ricardo e sua esposa, Arlete Dias, retornaram a São Paulo em 2013, onde se juntaram à igreja batista de Guaianase com um projeto de evangelismo indígena. Lopes Dias afirmou que não trabalhava com o MNTB há dez anos, quando na verdade ele e sua esposa ainda estavam dando palestras, enquanto participavam do treinamento de povos indígenas já convertidos; ensine a eles uma interpretação rigorosamente fundamentalista da Bíblia para que eles possam se tornar “multiplicadores” dentro de seu grupo étnico, a fim de converter outros.

Anúncio do culto destinado às missões indígenas na Igreja Batista Guaianases, ministrado por Ricardo Lopes Dias em 2018 Foto: Reprodução

Uma das funções mais vitais do coordenador do CGIIRC é trabalhar com informações confidenciais sobre a localização exata dos povos isolados e em contato recente e conceder ou recusar permissão para entrar nesses territórios indígenas. Além disso, o coordenador do CGIIRC tem o poder de aprovar expedições para localizar povos aborígines isolados. Um dos objetivos do setor que agora está sob a liderança de Lopes Dias é impedir a invasão de missionários nesses territórios, a fim de proibir qualquer proselitismo religioso e o envolvimento contínuo de Lopes Dias na evangelização é claramente um conflito de interesses para o cargo que ocupa. Além de violar a política de não contato garantida pela Constituição de 1988, viola a determinação das comunidades indígenas voluntariamente isoladas de manter suas crenças cosmológicas ancestrais e seus costumes tradicionais.

O MNTB (renomeado Ethnos360) proclama seu objetivo como “levar o Evangelho até os confins da terra e alcançar os não afetados”, que é a conversão forçada, uma prática condenada pela maioria dos antropólogos e povos indígenas.

A associação que agrupa as igrejas missionárias do Brasil (AMNTB) exibe um mapa indicando as regiões da Amazônia onde ainda não há presença missionária ou “conhecimento de Jesus”. Edward Luz, presidente do MNTB, diz que cerca de 150 grupos étnicos ainda “devem ser alcançados com o Evangelho no Brasil”.

Ao mesmo tempo, diante de uma feroz reação internacional às práticas de proselitismo no vale do Javari, a sede do MNTB em Guajará-Mirim, Rondônia, atualizou recentemente suas medidas de segurança…

A sede do MNTB em Guajará-Mirim, Rondônia, com medidas de segurança recentemente reforçadas

Devido à ameaça do coronavírus, o Ministério da Justiça da Amazônia ordenou que os missionários fossem removidos do território indígena do Vale do Javari. A decisão do Tribunal Federal solicitou à FUNAI que cumprisse as ordens e proibisse a entrada dos missionários americanos Andrew Tonkin, Josiah Mcintyre, Wilson Kannenberg e quaisquer representantes do MNTB ou de outras organizações religiosas que se seguiram. de um relatório da GLOBO que revelou um plano dos missionários americanos para contatar os povos isolados da região. Um dos elementos citados na ação é o estreito relacionamento do pastor Lopes Dias, coordenador geral do CGIIRC da FUNAI, com os sujeitos da solicitação de limitação de acesso. Lopes Dias é acusado pelas comunidades indígenas de ter negligenciado suas responsabilidades perante o CGIIRC por não ter seguido as acusações sobre as recentes invasões missionárias no Vale do Javari, nem por ter formulado um possível plano a ser implementado para enfrentar o crise de saúde por coronavírus em comunidades potencialmente afetadas.

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a suspensão da nomeação de Lopes Dias como chefe do CGIIRC, dizendo que ele mantém laços estreitos “com uma organização cujo objetivo é proselitizar em comunidades indígenas isoladas ou recentemente isoladas. contactado, criando assim uma relação de dependência favorável à disseminação da fé evangélica.” Na ação legal, o MPF vê uma ameaça de genocídio e etnocídio contra povos indígenas isolados, conflitos de interesse, incompatibilidades técnicas e riscos de regressão na política de não contato com esses povos.

No entanto, a decisão do tribunal não levou em consideração a manobra desonesta do atual presidente da FUNAI, Marcelo Augusto Xavier, de modificar as regras de procedimento uma semana antes da nomeação de Lopes Dias. O fato de ele não ser funcionário público o teria impedido de assumir o cargo antes. A Funai defende a decisão dizendo que a tentativa de suspender Lopes Dias é “preconceito religioso porque ele professa a fé evangélica” e que “não significa que haja autorização da Funai para a interferência. supostos missionários em áreas indígenas “.

As políticas ambientais favoráveis ​​de Bolsonaro já estão colocando os povos indígenas isolados em risco de genocídio. A nomeação de Lopes Dias como chefe do CGIIRC, uma posição com parâmetros que ele claramente não é capaz de implementar com integridade, aumenta a ameaça.

foto: Ricardo Stuckert

Atualmente, existem quase 100 casos documentados de presença de comunidades indígenas isoladas no Brasil a serem procurados para confirmação.

A decisão errada pode levar ao extermínio de grupos indígenas existentes nessas regiões, como aconteceu com muita frequência na história da Amazônia e das Américas.

About Barbara Crane Navarro - Rainforest Art Project

I'm a French artist living near Paris. From 1968 to 1973 I studied at Rhode Island School of Design in Providence, Rhode Island, then at the San Francisco Art Institute in San Francisco, California, for my BFA. My work for many decades has been informed and inspired by time spent with indigenous communities. Various study trips devoted to the exploration of techniques and natural pigments took me originally to the Dogon of Mali, West Africa, and subsequently to Yanomami communities in Venezuela and Brazil. Over many years, during the winters, I studied the techniques of traditional Bogolan painting. Hand woven fabric is dyed with boiled bark from the Wolo tree or crushed leaves from other trees, then painted with mud from the Niger river which oxidizes in contact with the dye. Through the Dogon and the Yanomami, my interest in the multiplicity of techniques and supports for aesthetic expression influenced my artistic practice. The voyages to the Amazon Rainforest have informed several series of paintings created while living among the Yanomami. The support used is roughly woven canvas prepared with acrylic medium then textured with a mixture of sand from the river bank and lava. This supple canvas is then rolled and transported on expeditions into the forest. They are then painted using a mixture of acrylic colors and Achiote and Genipap, the vegetal pigments used by the Yanomami for their ritual body paintings and on practical and shamanic implements. My concern for the ongoing devastation of the Amazon Rainforest has inspired my films and installation projects. Since 2005, I've created a perfomance and film project - Fire Sculpture - to bring urgent attention to Rainforest issues. To protest against the continuing destruction, I've publicly set fire to my totemic sculptures. These burning sculptures symbolize the degradation of nature and the annihilation of indigenous cultures that depend on the forest for their survival.
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2 Responses to TRANSGRESSÃO: Povos Indígenas Isolados, Missionários e COVID-19 / Apagamento da Existência Indígena – Proselitismo no Tempo dos Coronavírus: Parte 3

  1. As comunidades indígenas não precisam desses hipócritas religiosos!
    Deus está presente em tudo o que existe na natureza …

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  2. Crimes contra o direito à identidade étnica, contra os direitos dos povos indígenas, contra a humanidade. Abusos sem fim à vista … O genocídio continua!

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